Quem fala em “bioeconomia” e “sociobiodiversidade” como a “salvação” do interior do AM é bom conhecer o péssimo desempenho dessa política que já existe desde 2009

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É o que tenho sempre dito, é muito papo, muito artigo falando em BIOECONOMIA e SOCIOBIODIVERSIDADE como a salvação de quem preservou a floresta, salvação do interior, salvação da economia do Amazonas, mas na prática POLÍTICAS que já existem desde 2009 sequer são conhecidas e não andam por aqui. Até já andou melhor, mas agora tá um desastre quase total.

Já fiz várias postagens mostrando esse desconhecimento e descaso de uma política simples, sem tanta burocracia, mas que não chega na ponta por vários motivos.

Por exemplo: Gostaria de saber quando foi pago de subvenção federal nas Unidades de Conservação do estado que tem o manejo do pirarucu e que receberam valor abaixo do preço mínimo?

Reunir para criar “novas ideias, novos projetos” e não fazer andar o que já existe é brincar com quem mora na floresta e preserva o meio ambiente.

Explicando os números abaixos:

  1. Desde 2009 temos a PGPMBIO, extrativismo puro, alguns produtos na pauta, entre eles o pirarucu de manejo (o mais recente);
  2. Diferente da subvenção estadual, onde o pirarucu felizmente foi incluído na pauta e paga por kg produzido, o governo federal só paga quando o preço de mercado foi inferior ao preço mínimo. O gráfico da Conab mostra que sempre foi abaixo do mínimo;
  3. O item 2 do quadro da Conab tá errado, não é TON, é KG. Então, a safra de 2020 foi de 2.566.521 kg, ou seja, 2,5 mil toneladas. Tudo vendido abaixo do preço mínimo, segundo o gráfico da própria Conab;
  4. A subvenção abrangeu menos de 3% do total produzido. O gráfico 1 da Conab tá errado, não é TON, é KG. esse número de 73.184. Seria TON, ou melhor, T se tivesse apenas o número 73;

Conclusão: se temos uma política pronta desde 2009, com recurso (só faltou ano passado), e não anda, nem nas Unidades de Conservação e RDS (tem vários produtos nessa política), não adianta falar em bioeconomia e sociobiodiversidade como salvação da lavoura. Isso é enganar o caboclo que preservou a floresta. Sem falar do CBA que até hoje está sem gestão.

Estou dando o exemplo só do pirarucu de manejo, mas tem outros e outros….

Isso é pauta para vários conselhos, pois é GERAÇÃO DE RENDA no bolso do EXTRATIVISTA.

Este documento está no site da CONAB. O mundo bem que poderia conhecer essa realidade. Anos atrás, eu, Kelma e Ianelli mostramos para membros de uma Universidade da Alemanha no Rio de Janeiro essa politica e a realidade. Nada mudou….

THOMAZ RURAL

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2 comentários sobre “Quem fala em “bioeconomia” e “sociobiodiversidade” como a “salvação” do interior do AM é bom conhecer o péssimo desempenho dessa política que já existe desde 2009

  • Pois é – “… é muito papo, muito artigo falando em BIOECONOMIA e SOCIOBIODIVERSIDADE como a salvação de quem preservou a floresta …”, sem ação mínima! Quem quer combater desastre tem que empregar medidas do tamanho do mesmo. … em vez disso – palavras, palavras e mais palavras. Investe-se em milhares de pequenos projetos de Açaí, Castanha, Guaraná e Batata, sem hipótese de dar conta ao recado Amazônico.
    O maior projeto de Bioeconomia (não planejado) era a exploração do látex! – Toda a Amazônia se beneficiou direta ou indiretamente da borracha. Os investimentos vultuosos vieram de fora, dos mercados avançados do hemisfério norte. – VAMOS APRENDER A LIÇÃO! No final da época, a SUBVENÇÃO da borracha zelou pelo desastre socioeconômico.
    Não são subvenções que salvam – é a demanda de escala dos mercados! O extrativismo jamais teve aptidão de escala! – Era uma PSEUDO-ESCALA que foi criada nesta imensa Amazônia. Tirou-se imenso VOLUME a qualquer custo humano, sem GARANTIA DE QUALIDADE e, no final, sem a HIPÓTESE DE EXPANSÃO (o tripé da escala). Aí, ocorreu a história que todos conhecem.
    Hoje, os mercados nórdicos estão almejando a Bioeconomia para escapar da dependência do petróleo. Eles mesmos são incapazes em produzir a biomassa necessária que cubra a gigantesca demanda. Somente os Trópicos úmidos têm a propensão de produção primária tamanha. Então, quanto tempo precisamos ainda para compreender que somos a chave da Bioeconomia global? Podemos fornecer fibras naturais e celulose, os elementos básicos no hemisfério norte, para enfrentar as alterações climáticas em curso.
    O meu projeto de Munguba não quer mais saber de papo! Queremos atuar e implementar a estratégia de escala, através de plantios de ILPF inundável, proporcionando, em curto prazo a segurança alimentar e esperança nos interiores, além da perspectiva de desenvolvimento! – Quem vai investir são os mercados avançados, a partir do momento que entendam a aptidão da várzea e percebam o mínimo de seriedade política na Amazônia.

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  • José Maria Batista Damasceno Engenheiro de Pesca

    Eu já não sei mais o que fazer pra ajudar a resolver essa situação, a vergonha é tristeza que é vê os manejadores de pirarucu investirem esforços e grana para a conservação e recuperação dos estoques naturais da espécie e se a sujeirarem a vender o pirarucu a 4,00 – 4,50 9 kg e com limitação na subvenção limite de 2.500,00 por manejador por ano. O Governo tem criar uma política sólida para o processamento e a agregação de valor. Há mais de 12 anos não vejo o Governo Estadual e Federal fazer investimentos na cadeia do manejo. Tentei puxar um seminário via SEDECTI e outras instituições como: CIAMA, SUFRAMA, CONAB, INPA, MAPA, SEPROR e etc, para discutir isso, visto que o Governo vem falando em dinamizar, fomentar e apoiar os produtos da Sóciobiodiversidade como a salvação do interior, que é verdade. Em vão, a Secretária q estava disposta a fazer o seminário foi exonerada e quem assumiu no lugar não se posicionou até agora. Triste isso. Subvenção com a burocracia imposta e valores miseráveis limitados, não vai mudar a vida dos guardiões do Pirarucu. “Meu Deus o que podemos fazer pra mudar isso?” Acho que só um milagre, pois os governos não estão fazendo o que deveriam fazer. Como Thomaz diz: “é só bla bla bla…na prática nada acontece e quando há mudanças de pessoas com cargos de poder de decisão que querem ajudar e entra outros que não vê isso cm um foco importante, há um novo desmaio. Quando vão discutir convidam os burocratas de ar condicionado e os que atuam na ponta no dia a dia, são invisíveis nesse momento. Mais fale a verdade que aí estes são enxergados com maus olhos.

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