Esse evento não deveria ser no Amazonas, e a força-tarefa deveria ser contra a FOME que atinge metade do estado

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A “força-tarefa” deveria ser no combate à fome de metade da população do Amazonas (48% em 2018/IBGE) que não tem o que comer no interior e na capital. Essa SIM seria a “força-tarefa” mais urgente, depois a do “clima”, pois FOME não espera.

Existe, no meu ponto de vista, uma proposital confusão criada entre os termos AMAZÔNIA e AMAZONAS quando se fala em desmatamento e queimadas.

A matéria do Jornal À CRÍTICA fala em “debate sobre problemáticas e soluções para as mudanças climáticas e o desmatamento em Estados e Províncias de florestas tropicais“.

Portanto, se esse é o tema, o encontro deveria estar sendo realizado em estado ou província com alto nível de desmatamento e queimadas, e não no Amazonas (falei Amazonas e não Amazônia) que está, segundo o próprio secretário com “…98% de área natural do Estado do Amazonas conservada…”. Trazer esse tema de clima, desmatamentos e queimadas para o AmazONAS é querer confundir o Brasil e o mundo. É querer passar que aqui, em nosso estado, existe muito desmatamento e queimada porque o Brasil e o mundo confundem AmazÔNIA com AmazONAS.

Fui gestor, sei que existe desconhecimento, essa confusão, até em Brasília, imagino em outros estados e países. Até já confundiram Maranhão com Amazonas, e já me mandaram eu ir de carro para São Gabriel da Cachoeira.

Já estamos no último ano do primeiro mandato do governador Wilson Lima, o mais próximo, disparadamente, do setor primário se compararmos com os do passado, e o atual titular da SEMA, cuja origem vem de uma fundação bem conhecida no estado e no mundo, ou seja, já ciente dos problemas de geração de renda, de fome, há bastante tempo, mas mesmo assim não conseguiu fazer o ZEE (determinado pelo governador Wilson), não conseguiu que o crédito de carbono chegasse ao bolso do caboclo da floresta, nenhuma concessão florestal foi concluída (mesmo estando sob comando da ADS, mas poderia atuar conjuntamente) e nem avanço no manejo florestal. O verdadeiro defensor da floresta não viu a cor desse dinheiro da floresta em pé no estado “…com a maior porção de floresta tropical contínua do mundo...”.

Depois de três anos do atual governo, e de décadas de outros governos, li na matéria que “...estamos com 12 estudos de precificação nessas áreas..”. Pergunto: Quando vai acabar esse estudo no estado com 98% preservado, mas com 48% de famílias passando fome? É estudo, estudo, estudo e mais estudo….depois vem seminário, simpósio, congresso etc etc

Falam em criar novas políticas públicas sem executar as que já existem é outra brincadeira que não aceito. Como exemplo cito a PGPMBio que desde 2009 nem ligam para beneficiar o extrativista, mesmo tendo o manejador do pirarucu recebendo preço abaixo do custo de produção.

A matéria cita que o encontro não vai mais fazer “carta declaratória“, mas um “planejamento estratégico“. De novo “planejamento estratégico” Isso é brincar com o povo que está passando fome no estado mais preservado e com a valiosa floresta em pé. “Planejamento estratégico” funciona pra quem tem remuneração mensal, não pra quem tem fome. Já realizamos dezenas de eventos no passado, é só resgatar os encaminhamentos aprovados.

Tenho certeza que o governador Wilson Lima, caso participe do encontro que começa equivocamente no AmazONAS amanhã, vai tocar e cobrar em melhores condições de vida no cidadão que manteve a floresta em pé ao MUNDO, que vive no estado com 98% preservado, mas ainda na pobreza.

Tenho certeza, porque conheço pessoalmente o governador, e sei de sua sensibilidade. Sei que mais uma vez vai cobrar o ZEE, o REDD+, crédito do carbono e que as concessões florestais (sem os erros dos outros estados) saiam dos gabinetes, das promessas e dos lindos discursos mundo a fora para o bolso do verdadeiro defensor da FLORESTA.

Foi um grave erro trazer esse encontro para o AMAZONAS, penso que erro calculado, estratégico que envolveram o governador, porque com nomes semelhantes (AMAZÔNIA e AMAZONAS) debatendo desmatamento e queimadas jamais vão pensar que estão no estado com 98% preservado e que não é produtor rural quem desmata. A imagem que será passada será outra pelos motivos acima expostos.

Abaixo, apresento dois mapas do Brasil que mostram, claramente, que no Amazonas com 98% preservado a FORÇA-TAREFA seria para combater a FOME em razão da per capita e, também, da desnutrição ter sido a causa de muitas mortes que não resistiram à COVID. Eu tomei um monte de vitaminas, certamente as lideranças que cuidam da floresta em pé também tomaram várias vitaminas caras. Será que nossos caboclos tinham recursos para comprar essas vitaminas? Penso que não, mas deveria ter, pois são responsáveis pelos “rios voadores” e pela saúde do planeta. Essa conta não bate há anos.

Se fosse assessor do governador Wilson Lima teria opinado para não realizar esse evento sobre DESMATAMENTO e QUEIMADAS no AmazONAS, mas em outros estados da AMAZÔNIA, onde tem efetivamente mais desmatamento e queimadas. Aqui a questão ambiental tá bem resolvida, temos 98% preservado, dito pelo próprio secretário de meio ambiente, e vamos manter, pois aprendemos com os erros do mundo que a floresta é valiosa. Isso não vai mudar! Somos e seremos responsáveis. Só não posso admitir é o descaso com o ser humano que habita essa floresta tão valiosa. Só não posso admitir é escutar, há anos, sobre crédito de carbono, REDD+, concessão florestal e belos discursos, mas com nosso povo passando dificuldades de todas as ordens. Isso eu não aceito e vou continuar cobrando. Minha maior tristeza é que nunca fiquei tão próximo de um governador, como o Wilson, em que pude conversar e trocar ideias, e vejo ele cobrando, desde o início do governo, sempre essa melhor qualidade de vida ao cidadão, mas a área ambiental não evoluiu em nada para transformar a floresta em pé em algo valioso ao caboclo que a preservou. Pelo contrário, continua travando quem quer produzir e gerar emprego no Amazonas. Isso eu não aceito!

Já perdemos três anos de um governo sensível ao setor primário, com números positivos, com um agronegócio familiar e empresarial irreversível, mas travado, andando lentamente, com freio de mão puxado por uma secretaria que nem o ZEE conseguiu fazer andar, sem falar das reclamações da longa demora na análise do licenciamento ambiental esquecendo que produção agropecuária tem tempo para plantar e colher.

A luta maior é CONTRA A FOME!

THOMAZ RURAL

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