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Essa matéria que está no site da SEMA (Secretaria de Meio Ambiente) confirma o que sempre temos dito, aliás, melhor ainda. Temos 98,19% de cobertura natural, ou seja, apenas 1,81% sendo usado em diversas formas. Isso é elogiável, de parabéns toda a população do estado, em especial a do interior. Assim deve permanecer, mas precisa se transformar em renda. Isso não conseguimos, só agrava.
O que não pode permanecer, o que não pode ser ignorado é que neste mesmo estado dos 98,19%, o nosso Amazonas, tem pessoas catando comida no lixo na capital e no interior, isto é, 47% da população na linha de pobreza (IBGE 2018).
Num estado com 98,19% preservado já vi campanha de órgão oficial do governo estadual divulgado o FOGO na floresta que certamente será interpretado de outra forma pelo mundo, jamais que temos 98,19% preservado. Muita gente pensa que aqui tem 98% pegando fogo, e apenas 2% preservado com esse tipo de divulgação equivocada. A quem interessa isso? Penso que há ninguém.
Temos que combater o desmatamento 24 horas, mas onde fica a prioridade da geração de renda para 1,9 milhões de amazonenses na pobreza? Cadê o ZEE postergado há décadas pela área ambiental (isso tem que ser cobrado), cadê agilidade na regularização fundiária, cadê a agilidade no licenciamento ambiental, cadê a subvenção federal da PGPMBio que não chega aos defensores da floresta, nem mesmo nas Unidades de Conservação? Cadê os Pronaf´s Agroecológicos que não acontecem nos 98,19% preservado, nem mesmo nas unidades de conservação? Cadê a defesa do uso de sacaria biodegradável no lugar dos plásticos? Cadê o acréscimo de um percentual em cima dos preços mínimos da PGPMBio para os extrativistas, pois contemplam apenas o custo de produção?
Isso tem que ser pauta constante dos conselhos, órgãos públicos das três esfera e de controle. Não faz sentido ter toda essa riqueza de importância vital ao mundo (que vamos continuar mantendo), mas só quem tem salário/remuneração vive bem, o resto tem que vender o almoço pra comprar a janta, e nem todos.
Se o mundo quiser ajudar, o recurso deve ir direto para essa população, os governos já tem o CPF dessa população. Chega de intermediários que só querem fazer estudos e mais estudos, pagar consultorias e realizar eventos e viagens com discursos lindos sem qualquer efetividade no bolso do verdadeiro defensor da floresta. Investe em pesquisa no INPA, Embrapa e academias.
Já temos a preservação garantida, já sabemos quem estão na pobreza, então, é injetar recurso direto a essas populações.
Um exemplo: A Conab tem o nome e CPF de vários manejadores que não receberam a subvenção federal. Atividade sustentável! Quem tá defendendo esse pagamento? Será que eles vão receber? Fico revoltado, pois a ideia de incluir o pirarucu de manejo na PGPMbio nasceu na minha cabeça diante da necessidade que eu observava de renda a esses pescadores, maiores indígenas, mas não pagaram por falta de recurso. Isso é prioridade!
Isso tem que ser cobrado! Essa população não tem salário, muitas vezes é a única renda do ano.
Por fim, não podemos desprezar a ciência, a Embrapa, que mostra em seu site que é possível fazer agropecuária sustentável no Amazonas.
Ou então para TUDO, mas todos que aqui vivem devem ser bem remunerados, não com a remuneração do Bolsa Floresta, falei bem remunerados, com direito a saúde, educação, segurança e uma viagem por ano para conhecer o Brasil e o mundo que mantemos vivo com a nossa floresta, mas até agora privilégio de poucos.
Essa foi a herança recebida pelo governo Wilson Lima que vem tentando amenizar este quadro com programas de combate ao desperdício de alimentos, inclusão de novos produtos para receber a subvenção, pagando em dia o produtor rural, entre outros.
THOMAZ RURAL
15/12/2021 14:17 Category: Notícias
Amazonas é o estado com maior cobertura natural do Brasil, aponta MapBiomas
WRITTEN BY SEMA AMAZONAS
Dados divulgados mostram eficiência do sistema estadual de Unidades de Conservação
Dados divulgados no mês de dezembro pelo MapBiomas mostram que o Amazonas é o estado com a maior porcentagem de áreas naturais do Brasil. Com 98,19% de cobertura natural, o estado é exemplo da eficiência do sistema de Unidades de Conservação (UCs) como ferramenta para preservação florestal e inibição de crimes ambientais, conforme explica o secretário de Estado do Meio Ambiente, Eduardo Taveira.
“Esse dado do MapBiomas atesta o esforço que o Governo do Amazonas tem feito para manter a floresta em pé. Esse resultado é a prova de que as Unidades de Conservação são espaços efetivos, responsáveis para que esse resultado fosse alcançado”, afirmou.
O engenheiro ambiental e assessor do Núcleo de Geoprocessamento e Gestão de Florestas da Sema, Maycon Castro, ressalta que 54% do território do estado é composto por UCs Estaduais, Federais e Terras Indígenas (TI). Sob a gestão direta da Sema estão 12% de todo o território, que é a porcentagem correspondente às UCs Estaduais.
“O nosso sistema estadual de Unidades de Conservação é uma verdadeira barreira para que crimes ambientais proliferam. E o mais interessante é que, por meio dele, as comunidades tradicionais são as protagonistas neste processo”, disse.
De todo o território do Amazonas, 92,92% é floresta; 1,96% são áreas de formação natural não florestal e 3,31% espelhos d’água (superfície contínua de água), que, juntos, formam os 98,19% de áreas naturais.
Apenas 0,04% correspondem à área não vegetada urbana, 0,06% áreas não observadas, e 1,70% de pastagem.
Estados da Amazônia – Em comparação a outros estados brasileiros que compõem a Amazônia Legal, o Amazonas é o único que se mantém com mais de 90% do seu território preservado.
Nos dados no MapBiomas, o Mato Grosso (MT) mantém 54% cobertura florestal, Roraima (RR) 72,5%, Pará (PA) 75%, Rondônia (RO) 56%, Amapá (AP) 81%, Acre (AC) 85% e Tocantins (TO) 52%.
FOTO: Diego Peres/Secom





