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Tenho sempre dito que não adianta criar “novos e intelectuais nomes” nem novos “fóruns” se há décadas não estamos fazendo nada de concreto com quem preservou a floresta. Falei em recente artigo que vários manejadores do pirarucu deixaram de receber a subvenção federal porque “acabou o dinheiro”, disse o governo federal. E aí, fica assim mesmo? E os ambientalistas mundiais, ficam calados? Só vi a OPAN (Operação Amazônia Nativa) lutar por eles, pela renda na bolso deles. Na OPAN tem lideranças preocupadas com a geração de renda. Não vi um discurso na ALEAM em defesa desses manejadores, desses pescadores.
Há informações que este valor de subvenção federal não paga a esses manejadores, boa parte indígenas, ultrapassa 2 milhões da safra 2020. É só solicitar da Conab para ter os dados reais, ou do Ministério da Agricultura.
Meses atrás, postei no blog (link abaixo) que os 133 manejadores da ACJ deixaram de receber R$ 246 mil. Cheguei a ver essa lista (cópia abaixo), mas confesso que ao procurar hoje no portal de transparência da Conab não vi mais a relação nominal da ACJ, mas a Conab tem, e talvez até esteja no Portal, mas não localizei, mas tenho o print antigo que divulgo abaixo. E tem muito mais do que os 133. Deve ter a lista de manejadores de Beruri, Japurá e Fonte Boa. Cadê os representantes dos pescadores na ALEAM? Este espaço está aberto para divulgar o que foi feito, de fato, pelos manejadores.
É uma atividade sustentável, que a Conab tem todos os dados dos envolvidos, inclusive valores individualizados. O que falta para os alemães, noruegueses, dinamarqueses e ONG´s com recursos fazerem esse pagamento direto na conta deles, sem intermediários. Vão dizer que não pode, só tem dinheiro para encontros, reuniões, simpósios, seminários, congressos novos GT´s…..
Tem mais um detalhe: além de não receberem a subvenção federal, esse valor não dá nem pra chamar isso de renda JUSTA, cobre apenas custo de produção, o que é mais um erro do governo federal que já vem de anos, não é só do atual governo federal. Se eu considerar o valor máximo da subvenção (2.500,00) geraria ao pescador uma renda de R$ 208,33 por mês/ANO. Isso é brincadeira! Isso é justo com o defensor da floresta? E tem mais, além do IBAMA atrasar as liberações de despesca, tem grupo formal que não paga o valor do pescado ao manejador em alguns municípios sob alegação de não ter recebido do comprador.
Não vi nenhum líder ambientalista do Amazonas lutar para incluir o pirarucu de manejo na PGPMBio, nem estou vendo para viabilizar o pagamento da subvenção federal da safra passada (como já disse, exceção da OPAN). Só vejo propaganda na TV que fala em desmatamento e queimada no estado que tem 97% preservado. Aliás, nessas matérias não vi um valor financeiro mencionado dizendo qual a renda/mês desses defensores da floresta. Isso não é mostrado!
Quero ver quanto esse povo tá colocando no bolso por ano? Se é compatível com o bem que eles proporcionam ao mundo.
Quanto dos programas federais estão chegando no bolso deles? Tem política pronta que não estamos implementando, ainda querem inventar outras. Isso na gíria é enrolação.
A renda que eles ganham não entra nas matérias de TV nem entrevistas. Sabem qual a razão?
Porque não paga sequer uma passagem ida/volta até a capital para tomar um café no shopping, imaginem pra eles conhecerem algum novo lugar do Brasil e da Europa. Afinal de contas, eles tem esse direito, pois são os responsáveis pelos “rios voadores”, mas não podem “voar” porque não tem como pagar a passagem. Essas vantagens só nós temos, as lideranças tem, eles infelizmente não.
Estes dados estão no Portal de Transparência da CONAB.
Eu iniciei essa luta pela inclusão com apoio da FAEA, OCB E FETAGRI. Por esse motivo minha indignação pelo não pagamento.
https://conabemnumeros.conab.gov.br/
obs: estou usando “AmazoNAS +21” e não “AmazôNIA+21” pq o problema é nosso, embora outros estados também ficaram sem receber a subvenção federal por falto de dinheiro. É brincadeira esse argumento….o que mais impressiona é o silêncio, a falta de defesa…
THOMAZ RURAL






