Opinião/Informação:
Sou contra qualquer “novidade” envolvendo nossa região enquanto a corrupção sistêmica continuar sem limites. Chego ao absurdo de concordar com o jornalista Octávio Guedes quando afirmou que se fixasse em 10% o Brasil já sairia do buraco. Quem vive no interior do Amazonas conhece a realidade nua e crua: nossas rodovias, a exemplo da BR-319, estão entregues ao abandono, divididas entre a lama no inverno e a poeira no verão. Diante desse descaso histórico com as estradas, o caboclo sempre teve nos rios a sua única e verdadeira garantia de ir e vir. Suas estradas são de água.
Por isso, o Decreto 12.600 causou profunda indignação. Sob o pretexto de “modernização”, o plano de entregar trechos de rios como o Madeira, Amazonas e o Tapajós à iniciativa privada foi gestado sem nenhuma definição clara de como seria feito. A revogação da medida, após forte pressão popular, apenas confirma o tamanho do absurdo: o projeto abria caminho para o ribeirinho ter que pagar pedágio para navegar no quintal de sua própria casa.
A contradição é dolorosa. Ver uma medida dessas nascer de uma gestão, a do PT, que se promove sob a bandeira da defesa dos mais vulneráveis é o ápice da hipocrisia, pois o discurso social some na primeira correnteza.
O povo da Amazônia já sofre com o isolamento e a falta de assistência. Tentar cercar o rio com cobranças é o limite do bom senso. Diante de tamanha desconexão com a nossa realidade, a conclusão é inevitável: quem tem um governo que se diz para o POBRE e flerta com a taxação da nossa sobrevivência, não precisa de inimigo. É o próprio.
Veja, abaixo, a manifestação da Dra. Tania Sena.
THOMAZ RURAL


