O senador omitiu por medo ou conveniência? Mas eu vou começar a contar. Eduardo precisa se posicionar de que lado está…

Opinião/Informação:

O senador Eduardo Braga foi às redes sociais com o seu “Papo Reto” cobrar as ONGs que travam o asfaltamento da BR-319, em especial o tal “Observatório do Clima”. O discurso é bonito, procura atrair o apoio de quem sofre com a lama e o isolamento, mas, para quem conhece os bastidores do Amazonas há décadas, a fala soa como um teatro ensaiado onde o protagonista finge não conhecer os figurantes. Se o senador quer tanto a “verdade e firmeza”, por que não foi o protagonista na CPI das ONGs que aconteceu dentro da sua própria casa, o Senado Federal? Ali era o lugar de mostrar os contratos, as conexões e os financiadores que o senhor agora diz querer revelar no Instagram. Eduardo e Omar deixaram o amazonense senador Plínio Valério sozinho nessa luta contra as ONGs, até hoje não disseram nada. O senhor questiona quem financia e quem comanda essas ações de ONGs contra o desenvolvimento do Amazonas, mas esquece de citar a Fundação Amazônia Sustentável (FAS). A FAS nasceu dentro do seu governo, em 2008, e é capitaneada até hoje por Virgílio Viana, que foi seu Secretário de Meio Ambiente. Essa proximidade histórica é um fato, não uma suposição. Atacar o “sistema de ONGs” sem tocar na FAS é, no mínimo, uma amnésia seletiva. Que comigo não cola! Outro ponto que não “cola” é o papel de outra ONG, o IDESAM, que o senador também conhece muito bem. A ONG entrou na justiça para barrar o licenciamento da rodovia, mas logo depois tentou se desvincular do Observatório do Clima. Por quê? Porque o IDESAM administra milhões até bilhão do PPBio (Programa Prioritário de Bioeconomia), cujos recursos vêm justamente da indústria da Zona Franca de Manaus — a mesma indústria que é penalizada pela falta da BR-319. É um contrassenso inaceitável: usar o dinheiro de quem produz para financiar quem impede o escoamento da produção. Pior é ainda ver o CIEAM em parceria com a ONG FAS. Minha opinião é clara: O senador Eduardo Braga é extremamente inteligente, mas subestima a memória do povo do Amazonas. Não dá para posar de defensor da estrada e manter no círculo íntimo e em total silêncio — e em cargos estratégicos de gestão de recursos — as mentes que desenharam as travas ambientais que hoje nos isolam. O Amazonas não precisa de posts de indignação; precisa de transparência real, de Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), que as ONGs não querem, e de coragem para romper com o “ongueirismo” de estimação que atrasa o nosso desenvolvimento.

O QUE O SENADOR NÃO DISSE:

O Observatório do Clima, citado pelo senador, é uma rede que reúne diversas organizações da sociedade civil para discutir e atuar sobre as mudanças climáticas no Brasil. O Observatório do Clima atua frequentemente como o “braço político e jurídico” dessas ONGs em Brasília. Quando o Observatório entra com uma ação judicial ou publica um relatório contra o asfaltamento da BR-319, ele o faz em nome das organizações que o compõem. O Observatório do Clima é a voz coletiva que permite que ONGs como FAS e IDESAM mantenham uma postura institucional “técnica” enquanto a rede (OC) faz o enfrentamento político e jurídico mais agressivo. Em julho de 2024, após o Observatório do Clima (OC) conseguir na Justiça a suspensão do licenciamento do “Trecho do Meio” da BR-319, o IDESAM anunciou sua saída da rede. O motivo oficial: O instituto afirmou ser a favor da repavimentação (com rigor ambiental), contrastando com a posição radicalmente contrária do Observatório. O IDESAM é o coordenador do PPBio (Programa Prioritário de Bioeconomia). Esse programa é financiado com recursos de P&D das indústrias do Polo Industrial de Manaus (PIM). O conflito de interesse: As indústrias que colocam dinheiro no PPBio são as mesmas que precisam da BR-319 para escoar produção e reduzir custos logísticos. O cerco: Ficou insustentável para a ONG continuar recebendo milhões via Suframa/PIM enquanto fazia parte do grupo que deu o “golpe de misericórdia” jurídico na estrada. A saída foi uma tentativa de limpar a imagem perante os financiadores. Sempre é bom lembrar que a ONG IDESAM nasceu de uma “costela” da ONG FAS. Embora tenha saído do Observatório do Clima, o IDESAM continuou liderando o “Observatório da BR-319” (outro grupo que mantém uma postura crítica e de vigilância que, na prática, trava o avanço das obras). A Nota Oficial: A “saída” foi comunicada via ofício à Suframa (divulguei neste Portal) para acalmar os ânimos, mas a postura técnica da ONG em relação aos entraves da estrada pouco mudou na prática. A saída do IDESAM não foi uma mudança de convicção ambiental, mas uma conveniência econômica. Se eles continuassem no Observatório do Clima, o risco de perderem a gestão dos recursos bilionários do PPBio — fiscalizados pela Suframa — era real e iminente.

“É o caso clássico de quem morde a mão que o alimenta, e depois corre para pedir desculpas quando percebe que a comida pode acabar.”

O senador Eduardo Braga sabe dessas conexões financeiras, mas prefere manter o discurso genérico contra “ONGs estrangeiras” para não atingir os parceiros locais que gerem esses fundos. Eduardo precisa se posicionar de que lado está, das ONGs ou do povo do Amazonas? Veja matéria abaixo…

Thomaz Meirelles, Jornalista e Administrador

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