Opinião/Informação:
Já disse e volto a repetir: não permitirei que essas ONGs façam o povo amazonense de otário. Elas são livres para atuar como quiserem, mas aqui, as cartas estarão sempre sobre a mesa. Manifesto o que penso com a liberdade de quem não tem — e nunca terá — rabo preso com nenhuma delas. Para começar, é preciso questionar: quem escolheu essa ONG para representar o Brasil neste evento? A resposta é reveladora: a CNP Assurances, uma gigante do setor financeiro europeu e seguradora multinacional sediada em Paris. O cenário já está explicado, mas faço questão de detalhar. O que vemos é um domínio orquestrado por “ongueiros” e interesses europeus, contando com o aval complacente de Eduardo, Omar e Wilson. É a velha e perversa lógica: o europeu desfruta do bem-estar e da riqueza, enquanto o caboclo, que foi quem realmente manteve esta floresta em pé, continua condenado à miséria.
Eu não aceito que essa ONG IDESAM, nascida no Amazonas, seja alçada à condição de representante do Brasil e do nosso estado em um evento internacional, quando sua atuação prática levanta tantos questionamentos por aqui. Desde que surgiu, o único exemplo é o “café de Apuí” — enquanto temas estruturantes e urgentes para a população amazônida são ignorados ou, pior, combatidos. Um exemplo claro disso foi a atuação do IDESAM contra o reasfaltamento da BR-319, uma estrada vital que poderia reduzir o isolamento do Amazonas, diminuir o custo de vida e permitir que o nosso povo tenha acesso mais digno ao restante do país. Não bastasse isso, a mesma organização que atua judicialmente para barrar o desenvolvimento também está à frente do PPBio da SUFRAMA — um programa financiado com recursos da indústria. Milhões já foram operados, mas onde estão os resultados concretos em emprego, renda e melhoria de vida para a população? O que se vê, na prática, é muito discurso e pouca transformação real. Mais grave ainda é o silêncio da maioria dos nossos parlamentares e governadores diante dessa contradição. Com exceção do senador Plínio Valério, poucos têm se posicionado com clareza sobre esse tema que impacta diretamente o futuro do estado. Enquanto isso, o povo do interior segue esquecidos, mantendo a floresta em pé, mas vivendo sem dignidade. São 61 municípios enfrentando dificuldades reais, enquanto projetos pontuais são usados como vitrine internacional. E a capital? Continua com seus problemas de poluição, desemprego e falta de oportunidades. Eu fico ao lado de quem vive a realidade do Amazonas — não de narrativas que servem mais para plateias internacionais do que para resolver os problemas de quem está aqui e preservou a floresta ao mundo. Por fim, é parceira da ONG FAS e nem fala do nosso ZEE.
THOMAZ RURAL




