Opinião/Informação:
O destaque do Jornal A Crítica é um tapa na cara de todo amazonense: somos o estado com a pior gestão de lixo do país. Apenas 8,1% dos nossos resíduos têm destinação correta. Enquanto o mundo aplaude a “floresta em pé” (que está assim graças ao esforço histórico do nosso povo), as nossas cidades mergulham no caos sanitário. A pergunta é inevitável e imoral: cadê o dinheiro? Bilhões de euros e dólares atravessam o oceano em nome da “salvação da Amazônia”, mas esse recurso parece evaporar antes de chegar à ponta. Enquanto o caboclo — o verdadeiro guardião da floresta — vive doente, isolado e com fome, a “indústria do ambientalismo” se farta em consultorias e eventos em hotéis de luxo. Não faz sentido mandar dinheiro para “manter a floresta em pé” se quem vive dentro dela está “deitado” pela miséria. Se tivéssemos 10% do que é captado por grandes ONGs aplicado em saneamento básico e gestão de resíduos nos nossos municípios, não estaríamos passando essa vergonha nacional. É um ciclo perverso: usam a nossa floresta e a imagem do nosso povo para captar fortunas, mas o que sobra para o interior é o lixão a céu aberto, a água contaminada e a bolsa de miséria. O Amazonas não precisa de mais promessas estrangeiras; precisa de respeito à dignidade de quem aqui produz e vive.
THOMAZ RURAL



