Opinião/Informação:
Li com atenção a entrevista do economista Farid Mendonça Júnior, publicada na coluna Follow-Up Empresarial do CIEAM (11.03.2026). Farid é um dos principais nomes da assessoria do senador Omar Aziz e também um dos responsáveis pelo recente Plano Estratégico de Desenvolvimento apresentado para o Amazonas. Sobre a entrevista, faço algumas considerações.
Quando Farid afirma que a Amazônia — e o Amazonas — é “narrada ao mundo como um território de conflitos”, é preciso acrescentar que essa narrativa tem nome e sobrenome bem conhecidos. Trata-se de uma construção estimulada por determinadas ONGs ambientalistas que integram os chamados “observatórios” do clima e da BR-319. Entre elas estão a FAS e o IDESAM. Essas “narrativas” visam captar recursos que chegaram aos bilhões e nada mudou. Até o Bolsa Floresta/Guardião da Floresta que sempre foi de miséria (50 e 100 reais) e para pouquíssimos está atrasado.
A primeira ONG chegou a divulgar, ainda durante a pandemia da COVID-19, que a próxima crise sanitária/pandemia começaria pela Amazônia. A segunda, o IDESAM, administra milhões de recursos da indústria do PIM/ZFM, mas também entrou na Justiça para barrar o asfaltamento da BR-319. O famoso GOL CONTRA! Utiliza recursos das indústrias, do PPBio, mas barra o asfaltamente da BR-319 que aumenta o custo do PIM/ZFM.
Chama atenção o fato de essa entrevista estar sendo divulgada justamente no espaço do CIEAM, entidade que recentemente firmou parceria com a própria ONG FAS — organização que ajuda a disseminar as narrativas criticadas pelo entrevistado. Diante disso, seria importante que o senador Omar Aziz se manifestasse com mais clareza sobre o papel dessas ONGs. Desde a CPI das ONGs no Senado, o silêncio tem sido notado.
Outro ponto levantado pelo economista é a possibilidade de “produzir riquezas sem destruir a floresta”. Na prática, isso já existe há décadas no Amazonas. Um exemplo concreto está logo aqui na AM-010: a Embrapa Amazônia Ocidental, que produz ciência aplicada ao desenvolvimento sustentável da região. O problema é que esse conhecimento está esquecido pelos ocupantes do Executivo e travado por setores ambientalistas que não aceitam a interiorização do desenvolvimento pelos mesmos motivos que não querem a BR-319 asfaltada. Já temos satélites para acompanhar os ilícitos.
Se já existe ciência capaz de gerar riqueza e desenvolvimento desde o primeiro mandato do então governador Omar Aziz, não faz muito sentido recorrer ao slogan de “Amazonas forte de novo”. As próprias respostas dadas na entrevista mostram que não temos — nem devemos — voltar ao passado.
Observei que o Plano Estratégico de Desenvolvimento cita o esquecido ZEE do Amazonas (Zoneamento Ecológico-Econômico). Ótimo! Esse instrumento foi simplesmente ignorado pelos grupos ligados às ONGs que ocuparam a SEMA desde o governo Eduardo Braga, passando pelo do Omar, até a atual gestão. Vale lembrar que o ZEE é uma política prevista na legislação nacional de meio ambiente, que nem a ministra Marina cobra, nem o MPF. Não é estranho?
Farid é um economista inteligente e certamente conhece bem os motivos pelos quais o Amazonas ainda não tem seu ZEE efetivamente implantado. Nesse tema, novamente, seria importante ouvir a posição clara do senador Omar Aziz.
Outro ponto citado na entrevista é o investimento em formação. Aqui existe um caminho simples e imediato: levar internet de qualidade para todas as comunidades do interior. Com conectividade, qualquer morador pode acessar gratuitamente cursos da Embrapa, Senar, OCB, Sebrae, universidades e do IFAM. São cursos de qualidade, com certificação, que podem transformar a realidade produtiva do interior, incuindo a geração de renda através da produção de alimentos. Avançariamos na soberania e segurança alimentar com um simples “feijão com arroz”.
Hoje, com um celular e uma antena Starlink — cujo custo é relativamente baixo diante do impacto social — seria possível levar conhecimento técnico diretamente ao caboclo amazônida, que há décadas preserva a floresta para o mundo vivendo sem dignidade.
A economia que muitos apresentam como novidade já existe há décadas nas pesquisas da Embrapa e nos projetos prioritários do IDAM. Não sou contra o conceito de bioeconomia. O problema é que, no ritmo atual, a geração de renda prometida por esse modelo pode demorar tanto que o verdadeiro guardião da floresta — o homem e a mulher do interior — talvez nem esteja mais vivo para usufruir dela. Isso é injusto!
Hoje essas populações convivem com alguns dos piores indicadores sociais e econômicos do país. Muitos desses problemas já existiam no passado e, infelizmente, têm se agravado com as travas ambientais impostas ao crescimento do estado.
Por isso, mais do que repetir slogans, talvez seja hora de discutir seriamente outro caminho: um Amazonas forte pós-ZEE, com regras claras para produzir, gerar renda e desenvolver o interior — e sem ONGs ditando o que deve ser feito pelos governadores.
Tenho ainda outras contribuições a fazer sobre o tema, mas deixo essas reflexões para outro momento, incluindo a frase onde ele afirma que o modelo PIM/ZFM concentrou a atividade econômica na capital. Isso é fato, e confirma que é mentira que o modelo PIM/ZFM foi quem manteve a floresta em pé no interior do Estado.
THOMAZ RURAL



