Por Marcos Maurício Costa (*)
Retomo, mais uma vez, a pauta da nossa infraestrutura rodoviária, a iniciar pelo emblemático caso do abandono da rodovia AM-364, conhecida como “Ramal do distrito de Democracia”, de 84 quilômetros, que liga o município de Manicoré, no interior do Amazonas, até o entroncamento com a BR-319 (Manaus-Porto Velho), no Km 341.
Essa omissão, frisa-se, ocasionou o colapso de três pontes de madeira localizadas sobre os rios Maturipi, Amapá e Jatuarana e, via de consequência, impôs o isolamento rodoviário a uma população de 53.914 habitantes (IBGE, 2022).
Em outubro de 2025, o Ministério Público ajuizou uma ação civil pública contra o Estado do Amazonas na tentativa de obrigá-lo a reconstruir as pontes e restaurar o referido segmento rodoviário. O Estado informou, à época, que “a rodovia é de difícil acesso e baixo uso”, em uma demonstração de desprezo com aquele município.

Somam-se a esta “conta negativa” outras intrigantes evidências da degringolada do atual modelo de gestão rodoviária, a exemplo das rodovias listadas abaixo
- AM-454: trecho entre Codajás e Anori.
- AM-352: acesso ao município de Novo Airão.
- AM-329: situação crítica em Envira.
- AM-240: conhecida como “Estrada de Balbina”.
- AM-363: a famosa “Estrada da Várzea”.
- AM-010: ligação entre Manaus e Itacoatiara, sobretudo no subtrecho até o Rio Preto da Eva.
Faltam planejamento e asfalto; sobram buracos, muita lama, além de irresponsabilidade e cinismo do Poder Executivo estadual.
Mas o que causa espanto é o silêncio dos pré-candidatos ao governo do Amazonas. Alguns até apresentaram, parcialmente, planos de governo, mas sem o detalhamento necessário quanto ao percurso metodológico que pretendem seguir para resgatar o nosso patrimônio rodoviário.
E ficam as seguintes perguntas para os postulantes ao cargo máximo do estado:
- O que impede os pré-candidatos ao governo do Amazonas de se manifestarem, de forma objetiva, sobre a agenda da nossa infraestrutura rodoviária estadual?
- Qual a razão desse silêncio?
- De que forma pretendem atuar?
- Quais os modelos de gestão rodoviária que pretendem implantar?
Deixo os questionamentos acima para reflexão, afinal, uns já estiveram com a “caneta na mão” e tentam voltar; outros, criticam a velha política e apresentam-se como solução para os antigos problemas. Porém, nenhum deles apresentou, até agora, propostas objetivas referentes a este tema.

(*) é professor, advogado e engenheiro civil.


