Opinião/Informação:
Acrescento também o vídeo com as palavras de Gustavo Igrejas, ditas hoje no Plenário da ALEAM, para facilitar a compreensão da minha opinião e evitar qualquer interpretação equivocada do que foi dito.
Sem a menor necessidade, o “parêntese” e a citação de “fogo amigo” no discurso de Gustavo Igrejas chamaram atenção. Ele é da Suframa, atualmente está na SEDECTI, e hoje representou o governador Wilson Lima em evento na própria Suframa.
Não é preciso tese de doutorado para compreender a realidade do Amazonas. Basta visitar o interior do estado para constatar o caos social e econômico instalado em 61 municípios. O modelo PIM/ZFM simplesmente não chegou ao interior. O próprio Gustavo reconheceu em seu discurso a concentração do modelo na capital.
Faço questão de registrar: faço parte do grupo que não concorda com o argumento de que o modelo PIM/ZFM manteve a floresta em pé, porque essa afirmação não corresponde à realidade. Se nem mesmo a capital — que abriga o modelo — conseguiu preservar seus próprios igarapés, em sua esmagadora maioria poluídos e mortos, com que autoridade técnica ou moral se pode afirmar que esse mesmo modelo é o grande guardião ambiental do interior do Amazonas?
Esse argumento simplesmente não se sustenta diante dos fatos.
Isso não significa, em hipótese alguma, diminuir a importância do modelo. Ao contrário. Nunca deixei e nunca deixarei de enaltecer o modelo econômico que sustenta o meu Amazonas, responsável por milhares de empregos, arrecadação e pela própria dinâmica econômica da capital.
O problema não é o modelo. O problema é tentar sustentá-lo com uma narrativa que não resiste ao confronto com a realidade social do interior e com os próprios indicadores ambientais de Manaus.
A ideia de que o PIM/ZFM beneficiou todo o Amazonas e levou desenvolvimento para todos é uma construção conveniente, que acabou virando o sonho de consumo de falsos ambientalistas especialistas em captar recursos internacionais para “manter o que já está em pé”, seja nos Estados Unidos ou em países da Europa.
Se essa narrativa for usada como uma “bengala” para responder a críticos de fora — especialmente alguns paulistas que atacam o modelo sem conhecer a Amazônia — até se pode compreender. Muitos desconhecem completamente a realidade da região. Pode até colar, mas já li no OGLOBO a desconstrução dessa narrativa.
Mas transformar isso em verdade absoluta é um erro grave.
Quem não é amazonense raiz — especialmente aliados de ONGs — está usando exatamente esse argumento de que o PIM/ZFM gera renda para todo o Estado e manteve a floresta em pé para travar diversas atividades econômicas no interior, espalhando pelo Brasil e pelo mundo a falsa ideia de que o modelo PIM/ZFM já levou dignidade aos quatro milhões de habitantes do Amazonas.
Sabemos que isso não corresponde à realidade. Isso é grave, muito grave, para um interior entregue ao narcotráfico e prostituição como alternativas de emprego.
Não acredito que haja qualquer maldade nas palavras do botafoguense Gustavo Igrejas. Mas é preciso reconhecer que essa narrativa equivocada acaba sendo usada para engessar e sufocar o desenvolvimento do interior do estado.
THOMAZ RURAL
O pronunciamento do Gustavo Igrejas começa no minuto 52 do vídeo.


