Opinião/Informação:
A foto com os deputados registra o dia em que o governador decidiu cumprir o mandato até o fim. O sorriso no rosto de todos é natural, mas o governador — que em oito anos aprendeu a ler gestos, silêncios e ausências — sabe exatamente o que aquela imagem representa. Ele sabe quem foi leal nas crises e quem só surgiu após a vitória nas urnas. Identifica quem, nos últimos meses, já evitava dividir o palco em agendas institucionais. A Assembleia é a mesma: aquela que o sustentou nos momentos delicados, mas que também elevou o custo da governabilidade. Afinal, sustentar e desgastar caminham juntos quando a fatura é alta. E quem cobra caro demais compromete a eficiência da gestão. Quando o peso da negociação supera o projeto político, a candidatura torna-se inviável não por falta de votos, mas pelo ambiente de bastidores. Desde o anúncio da permanência, a movimentação silenciosa recomeçou. Alguns já se reposicionam; política, afinal, também é cálculo de sobrevivência. Estive ao lado do governador em 2018, quando muitos dos que hoje sorriem na foto sequer acreditavam no projeto. Vieram depois, com o resultado consolidado. Isso não é crítica, é a constatação do funcionamento tradicional do poder. A reflexão é simples: a mesma base que garantiu a estabilidade pode ter inviabilizado uma candidatura futura diante das exigências impostas. O governador sabe quem pediu demais, quem ameaçou sair e quem já estava de malas prontas buscando abrigo em outros projetos. Se o projeto eleitoral pesou, foi pelo custo da engrenagem. Dizem que a política é assim; eu digo que a pior política é assim: aquela que transforma apoio em moeda, governabilidade em dependência e projeto de Estado em cálculo de curto prazo. A foto registra os sorrisos; a história registrará os custos. Continuo tendo o mesmo respeito pelo Wilson, grato pelos acertos no setor primário e continuar cobrando o que foi prometido em 2018 e ainda não realizado, afinal, deveremos ter mais 10 meses de gestão.
THOMAZ RURAL



