A chuva é bilionária, mas o amazonense segue pobre. Quem está ficando com esse dinheiro?

Opinião/Informação:

Mais uma vez tentam nos ensinar, de fora, quanto vale a Amazônia. Agora, um texto do Conexão Planeta repercute uma pesquisa britânica dizendo que a chuva produzida pela floresta vale bilhões por ano. Bilhões!

A pergunta que faço é simples e incômoda: alguém no interior e na capital do Amazonas já viu um centavo desses bilhões?

Vivemos em um dos estados mais pobres do Brasil, com indicadores sociais vergonhosos, insegurança alimentar e falta de oportunidades. Mas, curiosamente, somos sempre lembrados de que a floresta “vale muito”. Vale para o mundo. Só não vale para quem mora dentro dela.

A pesquisa citada vem de acadêmicos ligados à University of Leeds, na Europa — o mesmo bloco que historicamente tenta impor barreiras ambientais ao Brasil enquanto protege seus próprios interesses econômicos.

Não é coincidência. Sempre que o agro brasileiro cresce, surgem novos estudos, novas narrativas e novas tentativas de criminalização.

A matéria reforça o velho discurso de que a agricultura é vilã, associando produção rural ao desmatamento. Isso ignora fatos básicos: o Brasil tem um dos códigos florestais mais rigorosos do planeta. Na Amazônia, o produtor é obrigado a preservar até 80% da propriedade.

Repito: 80%.

E qual é o resultado disso no Amazonas? Preservamos como poucos no mundo — e continuamos pobres como poucos também.

E aqui entra um ponto que muitos evitam dizer: essa narrativa é amplamente utilizada por ONGs parceiras de interesses europeus. Organizações que captam milhões em nome da Amazônia, constroem relatórios, participam de conferências internacionais — mas cuja atuação raramente transforma a realidade de quem vive no interior. As ONGs FAS e IDESAM, assim como os tais “observatórios” são parceiros dessa narrativa que nos isola e nos mata.

Os recursos circulam em eventos, consultorias e projetos que não chegam na ponta. Não geram renda, não estruturam cadeias produtivas, não mudam indicadores sociais. Mas servem para manter a engrenagem do discurso funcionando.

Enquanto isso, produtores seguem travados, comunidades continuam pobres e o desenvolvimento regional é constantemente adiado em nome de uma “preservação” que não inclui o ser humano amazônida.

A Amazônia virou um ativo geopolítico global — administrado com discurso ambiental e pago com o sacrifício social de quem vive aqui.

Defender a floresta é importante. Mas usar a floresta como instrumento para travar o desenvolvimento de um povo é injusto, hipócrita e cruel.

Se a Amazônia vale bilhões, então chegou a hora da pergunta que ninguém quer responder:
bilhões para quem?

THOMAZ RURAL

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