Opinião/Informação:
Enquanto alguns doutores petistas da UFAM só vivem no instagram e facebook, esquecendo de trabalhar em prol da agricultura familiar, da renda e da alimentação saudável, apresento, abaixo, uma ideia simples (que não está acontecendo) que envolve o Restaurante Universitário. Exemplos já existem pelo Brasil. A seguir aponto os caminhos para a reitoria da UFAM avaliar. Todos os anos, o Governo Federal destina milhões às universidades federais para garantir alimentação subsidiada aos estudantes por meio dos restaurantes universitários. É uma política essencial. Mas fica a pergunta: quem se beneficia dessa comida servida nas bandejas? Em grande parte do Brasil, a resposta já mudou. Universidades federais passaram a comprar alimentos diretamente da agricultura familiar por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), na modalidade Compra Institucional. Ou seja, o dinheiro público alimenta estudantes e, ao mesmo tempo, fortalece a economia local. A própria legislação federal incentiva esse caminho. Órgãos públicos podem — e devem — comprar pelo menos 30% dos alimentos da agricultura familiar. Restaurantes universitários estão claramente dentro desse universo. Não é inovação. É política pública consolidada. Na região Norte, há exemplos concretos. A Universidade Federal do Pará já realizou chamadas públicas para abastecer seus restaurantes universitários com produtos vindos diretamente de agricultores familiares. Isso mostra que nem a logística amazônica serve mais como desculpa. No Sudeste, universidades como a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro adotaram o modelo e transformaram o restaurante universitário em uma verdadeira vitrine de integração entre ensino, extensão e desenvolvimento rural. Alunos comem melhor, agricultores vendem mais, e a universidade cumpre seu papel social de forma mais ampla. E no Amazonas? A Universidade Federal do Amazonas continua com um potencial gigantesco ainda pouco explorado. Em um estado onde a agricultura familiar sustenta milhares de famílias — ribeirinhos, indígenas, assentados e produtores periurbanos — o restaurante universitário poderia ser um dos maiores indutores de desenvolvimento regional. Não faltam caminhos. Mesmo quando o restaurante é terceirizado, existem alternativas: chamadas públicas obrigatórias nos contratos, compras institucionais diretas pela universidade ou arranjos com cooperativas locais. Tudo já testado em outras federais.
O impacto seria imediato.
Mais renda no interior.
Mais circulação de dinheiro nos municípios.
Mais protagonismo para associaçõe e cooperativas locais.
Mais coerência entre discurso e prática quando se fala em Amazônia sustentável.
Além disso, a UFAM tem algo que muitas universidades não têm: capilaridade amazônica real. Presença em vários municípios, cursos ligados ao setor primário, pesquisadores reconhecidos e uma história profundamente conectada ao território. Transformar o restaurante universitário em instrumento de desenvolvimento regional seria coerência institucional.
A pergunta que fica é simples: o que falta para a UFAM dar esse passo?
Falta decisão política?
Falta articulação interna?
Ou falta pressão da sociedade e das próprias associações e cooperativas?
Falta conhecimento do Instrumento?
O Amazonas não pode continuar exportando oportunidades enquanto importa soluções prontas. Se outras universidades federais já mostraram que é possível, a UFAM não pode permanecer na inércia. Mais do que alimentar estudantes, o restaurante universitário pode alimentar uma nova lógica de desenvolvimento para o estado. E talvez esteja aí uma das oportunidades mais simples — e mais poderosas — de aproximar a universidade da vida real do povo amazonense.
THOMAZ RURAL



