Opinião/Informação:
O debate sobre o fim da escala 6×1 tomou conta das redes e do Congresso, mas é preciso olhar para além do populismo e enxergar a realidade de quem produz. Em entrevista recente ao jornal A Crítica, o presidente da Fecomércio-AM, Aderson Frota, foi cirúrgico: “Ninguém está contra, o que preocupa são os efeitos”. Frota alerta que a redução imediata da jornada, sem uma reestruturação do modelo de custo do trabalho no Brasil, terá um efeito cascata. O setor agrícola repassa o custo para a indústria, que repassa para o comércio, e quem paga a conta final é a população de baixa renda no preço dos alimentos e serviços. Como ele bem pontuou, a produtividade no Brasil é baixa porque o modelo é defasado: o custo para a empresa é quase o dobro do que o trabalhador efetivamente recebe. Onde está o verdadeiro dinheiro? Concordo plenamente com a preocupação da Fecomércio, mas acrescento um ponto que o Congresso parece ignorar propositalmente: a conta não deveria cair sobre o empreendedor. Se o Brasil quer um país mais digno e feliz, por que o debate não começa pelo estancamento da sangria dos cofres públicos? Enquanto se discute aumentar o custo de quem gera emprego, assistimos passivamente a:
- Bilhões do Fundo Eleitoral: Dinheiro público que deveria retornar em saúde e educação sendo usado para campanhas políticas.
- Emendas Parlamentares: Recursos distribuídos sem transparência que muitas vezes alimentam currais eleitorais.
- Corrupção Generalizada: Como bem lembrou o jornalista Otávio Guedes (GloboNews), se conseguíssemos estancar a corrupção ou ao menos limitá-la drasticamente, o Brasil sairia do buraco.
Reduzir a carga horária para dar mais qualidade de vida ao trabalhador é um objetivo nobre e necessário. No entanto, é hipocrisia cobrar essa fatura apenas da iniciativa privada enquanto o Estado brasileiro continua sendo uma máquina de desperdício e má gestão de recursos. O Brasil só será digno para todos quando a eficiência cobrada do empresário e o suor do trabalhador forem respeitados com uma gestão pública honesta e voltada para o desenvolvimento, e não para a manutenção de privilégios políticos.
THOMAZ RURAL




