Opinião/Informação:
Antes de qualquer argumento técnico, uma incoerência salta aos olhos no artigo do Dr. Alfredo Lopes: a imagem utilizada. Usar fogo, incêndio para ilustrar um estado que preserva cerca de 97% da sua cobertura florestal é um gol contra o próprio Amazonas. É uma distorção visual que choca quem está fora, reforça estereótipos e afasta investidores que não conhecem a realidade da região. Imagem não é detalhe. É mensagem. E a mensagem passada ao mundo é de destruição, não de preservação. Esse tipo de abordagem alimenta exatamente a narrativa usada há anos por ONGs ambientalistas e por setores que vivem da indústria do medo. São os mesmos grupos que travam o território amazônico, dificultam novos empreendimentos e impedem a formação de cadeias produtivas que poderiam, inclusive, fortalecer o próprio Polo Industrial de Manaus. Não dá para falar em adensamento produtivo ignorando quem bloqueia infraestrutura estratégica. A BR-319, por exemplo, não está parada por acaso. Existe pressão organizada, judicialização e ativismo permanente para impedir sua viabilização. Isso impacta diretamente logística, custos e competitividade — exatamente os pontos que o próprio artigo reconhece como críticos. Outro silêncio incômodo é sobre o destino dos recursos e quem exerce poder real sobre eles. Quando se fala em governança e uso de fundos, é preciso dizer claramente: há ONGs com forte influência sobre milhões que deveriam estar conectados ao desenvolvimento produtivo regional. Ignorar isso e jogar a responsabilidade de forma difusa apenas reforça uma meia-verdade conveniente. O resultado prático dessa narrativa é perverso: cria-se um discurso sofisticado que parece técnico, mas que, na prática, reforça a visão de uma Amazônia intocável, tutelada e incapaz de produzir. Isso não fortalece o Polo. Isso enfraquece o Amazonas. O Polo Industrial de Manaus não precisa de mais narrativas que afastem investimento, assustem parceiros e reforcem preconceitos históricos contra a região. Precisa de verdade, equilíbrio e coragem para apontar todos os fatores que travam o desenvolvimento — inclusive aqueles que se escondem atrás de boas intenções e discursos ambientalmente corretos. Alguém precisa dizer com clareza: repetir esse tipo de narrativa não ajuda o Amazonas. Não ajuda o Polo. E não ajuda quem vive aqui. Como o Dr. Alfredo Lopes fala em nome do CIEAM penso que deveriam ter um melhor diálogo com o editor responsável por esses artigos. NÃO TEREMOS FUTURO ENQUANTO ONGs mandarem no Amazonas, incluindo os governadores. No artigo, ele volta a falar em grilagem e desmatamento.
THOMAZ RURAL



