O PIM não “protegeu a floresta” como o discurso pronto costuma afirmar. A preservação da floresta amazônica ocorre muito mais por fatores geográficos, demográficos e pela presença histórica das populações locais do que por causa direta do modelo industrial. O segundo ponto levantado no artigo é quase simbólico do nosso isolamento: há brasileiros que ainda não conhecem a Zona Franca de Manaus e sua realidade. Isso diz muito. Um modelo vendido há décadas como “estratégico para o Brasil” continua pouco compreendido fora da região — e, muitas vezes, mal explicado até dentro do próprio estado. O artigo ajuda a quebrar o mito de que o PIM, sozinho, seria o grande guardião da floresta. Esse tipo de narrativa simplificada impede um debate mais sério sobre limites, distorções e a real função do modelo.
Seria muito produtivo que o editor responsável pelas colunas do CIEAM — e também alguns parlamentares — lessem esse novo material de Juarez Baldoíno. O debate sobre a Zona Franca precisa sair do campo dos slogans e ir para a análise realista, com números, limites, contradições e resultados concretos.
A ZFM é importantíssima, mas não precisa se sustentar em argumento frágil. Transformar a Amazônia num “santuário intocável” enquanto a população convive com pobreza, falta de oportunidades e baixa renda não é política ambiental — é exclusão social disfarçada de virtude.
O Amazonas precisa discutir alternativas, interiorização da economia e valorização do setor primário. Vincular automaticamente “ZFM = floresta em pé” simplifica um tema complexo e acaba servindo mais a narrativas ideológicas de ongueiros do que às pessoas que vivem, trabalham e preservam a região de fato.
THOMAZ RURAL



