Opinião/Informação:
Um governo que se diz aliado do agricultor familiar não pode continuar agindo como está na questão do cacau. Ainda mais sabendo que no Sul, a Conab ajudou produtores de pessego. Nada contra os produtores de pessego, mas não tem como comparar com o que envolve o CACAU. A solução é estancar a importação até que equilibre o mercado, pois já vi produtores destruindo a plantação de cacau. O Norte precisa se unir, pois vem perdendo para o SUL. O governo do presidente Lula precisa tomar providências urgentes em defesa do produtor de cacau brasileiro. A importação, especialmente da Costa Rica e países africanos, tem pressionado os preços para baixo e prejudicado diretamente quem produz no Brasil, que já enfrenta custos altos e pouca proteção de mercado. Nesse encontro, recomendo ao governador Helder Barbalho que esteja acompanhado do presidente da Conab. Recentemente, o órgão utilizou instrumentos federais de apoio à comercialização para socorrer produtores de pêssego. Ora, o cacau tem uma relevância econômica, social e estratégica que não se compara ao mercado do pêssego, especialmente na Amazônia, onde envolve agricultores familiares, sistemas agroflorestais e também o extrativismo. Vale lembrar que o cacau — tanto de cultivo quanto de base extrativista — está inserido em políticas federais que preveem garantia de preço mínimo, que precisa ser não apenas formal, mas de fato remunerador ao produtor. É visível a insatisfação do governador do Pará com o governo Lula. Porém, por ser aliado político, suaviza o discurso — enquanto o produtor segue pagando a conta. O Norte precisa se unir, pois o distanciamento está fazendo com que o apoio seja direcionado a outras regiões, especialmente ao Sul, origem do presidente da Conab, candidato no RS.
THOMAZ RURAL


