O que me impressiona é o silêncio total de quem deveria lutar pelo Amazonas

Opiniãio/Informação:

Mais uma vez, o professor Marcos Maurício coloca o pingo nos is ao analisar esse novo ataque que envolve o reafastamento da BR-319. Vi, inclusive, que o senador Plínio Valério republicou esse artigo em suas redes sociais. Gostaria de saber se os senadores Eduardo Braga e Omar Aziz, ex-governadores do Amazonas e criadores da ONG FAS, já se manifestaram sobre esse novo “jeito” de nos manter travados, isolados e pagando custos elevados em praticamente todas as atividades econômicas. Até hoje, não vi qualquer cobrança desses dois senadores sobre os mais de R$ 10 milhões pagos a engenheiros florestais, agrônomos e de pesca que, segundo o presidente da FAS, prestaram “assistência técnica” em unidades de conservação. Tampouco os vi comparecer à CPI das ONGs. É preciso que apareçam e se manifestem. O silêncio, nesse caso, deixa muito claro de que lado estão. Contra o povo do Amazonas. Se for feito um pouquinho de esforço para descobrir de onde partiu esse novo ataque publicado na FOLHA e em OGLOBO tenho quase certeza que tem ongueiro envolvido. Lembro, também, cartaz que divulgo abaixo, que em final da pandemia, a ONG FAS já publicava em sua página na rede social a seguinte frase “A PRÓXIMA PANDEMIA PODE COMEÇAR PELA AMAZÔNIA”. Esse carta da ONG FAS foi durante a campanha para presidente da República, é só observar o que está escrito “eu Voto na Amazônia Viva”. É muito alinhamento com a Marina Silva e o Fundo Amazônia. O QUE ME DEIXA TRISTE É O SILÊNCIO DOS NOSSOS EX-GOVERNADORES, HOJE SENADORES, Eduardo e Omar, E O GOVERNADOR WILSON LIMA que mantém na SEMA um ongueiro com origem na FAS. Seguimos fazendo nossa parte!

THOMAZ RURAL

Por Marcos Maurício Costa (*)

Serei breve – até porque estou de férias com a família – e deixarei para um outro momento a elaboração de um texto mais aprofundado sobre as matérias veiculadas, ao longo desta semana, por grandes grupos de comunicação aqui do Sudeste, como a Folha de S. Paulo e O Globo — com repercussão em portais locais como o Brasil Norte Comunicação (BNC ) —, de que um estudo científico “indica que a abertura da rodovia pode colocar a população em contato com linhagens isoladas de vírus e bactérias com potencial patogênico ainda pouco conhecido.”

Antes de avançar, já deixo registrado o meu pedido de desculpas a minha filha adolescente, que me fez o seguinte questionamento: “Pai, por que mesmo nas férias o senhor não para de escrever?”.

Respondi:”Minha filha, não posso deixar de sair em defesa do nosso Estado, e nem permitir que limitem ou tirem as perspectivas de futuro da sua geração.” Meio contrariada, ela compreendeu.

Sigamos, então.

A hipótese de que a repavimentação do Trecho do Meio da BR-319, de 405 quilômetros, pode colocar a população em contato com linhagens isoladas de vírus e bactérias com potencial patogênico ainda pouco conhecido e causar uma tragédia biológica deve ser colocada imediatamente sob rasura.

Convém relembrar que a construção da verdade atende a uma vontade de poder, já nos ensinava Michael Foucault.

E é utilizando as ferramentas da análise do discurso, com a lente das Ciências Sociais Aplicadas, que trarei alguns fatos para a reflexão de todos.

Não se trata aqui de apontar eventuais imprecisões no percurso metodológico da pesquisa citada e nem de refutar os resultados preliminares que foram divulgados pela mídia do sudeste, mas sim, repito, convidar a uma reflexão.

Nesse sentido, destaco que segundo o eng.civ. Orlando Holanda, a rodovia BR-319 (Manaus-Porto Velho) foi aberta ao tráfego interestadual no final de 1972, quando duas frentes de obras se encontraram; uma seguindo de Humaitá-AM até o rio Matupiri, e outra do rio Tupãna até o mesmo ponto.

Frisa-se que a supressão da camada vegetal de floresta primária ocorreu quando houve a construção da rodovia, iniciada em 1968 e oficialmente inaugurada em 27 de março de 1976, totalmente asfaltada nos seus 885 quilômetros.

Mesmo considerando a restrição ao tráfego interestadual imposta a partir do final de 1988, a reabertura em 2015 e admitindo a supressão parcial de floresta secundária, não se teve, no passado, evidências de que essas ações humanas tivessem colocado a população em contato com novas linhagens de vírus e bactérias com potencial patogênico pouco conhecido.

Com efeito, a pesquisa divulgada por alguns grupos de comunicação aqui do Sudeste serve para mostrar, novamente, a importância do Estudo de Impacto Ambiental (EIA) do Trecho do Meio da BR-319 (Kms 250,7 ao 656,4), como, a título de exemplificação, dos Programas Ambientais que serão executados a fim de prevenir, mitigar e compensar impactos ambientais negativos, inclusive no que diz respeito ao aumento na incidência e no controle de doenças (meio biótico).

Por fim, é preciso reforçar que a rodovia BR-319 está aberta ao tráfego interestadual, mesmo com as condições precárias do segmento central, e continua sendo um vetor de mobilidade da população.

  • Conclusão: precisamos avançar com as tratativas voltadas para a repavimentação do Trecho do Meio da rodovia BR-319 e, via de consequência, implantar o quanto antes os programas ambientais listados no EIA. E não ao contrário, como concluiu a pesquisa divulgada.
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