Opinião/Informação:
Vou aproveitar essa postagem do Glênio Seixas para fazer algumas observações, já que entraram em pauta temas ligados à comercialização da produção rural. Já existem diversos programas estaduais e federais para apoiar os produtores: PAA (em seus vários instrumentos), PNAE, PREME e PAF. O problema não é a falta de políticas, mas a forma como são operadas. O PAF e o PREME, por exemplo, vêm sendo executados de maneira totalmente equivocada — isso já vinha de antes, mas piorou ainda mais. No caso do PAA, ainda falta conhecimento técnico no Amazonas sobre seus instrumentos, o que faz com que recursos acabem sendo direcionados para outras regiões, agravado por uma representação regional acomodada e muito politizada. Se esses programas funcionassem com organização e seriedade — tanto do governo quanto dos produtores e dirigentes das organizações — grande parte da produção da safra, especialmente quando os preços despencam, já estaria resolvida. Outro ponto fundamental: tirar o IDAM das mãos da política, especialmente da ALEAM, é passo obrigatório para qualquer deputado estadual que queira, de fato, contribuir com o desenvolvimento rural do Amazonas. No âmbito federal, existem ainda vários instrumentos de apoio logístico e de garantia de preços, como PEP, VEP, PROP, COV, AGF, EGF, PGPM, PGPMBio, entre outros. Sem conhecimento técnico e, principalmente, sem demanda firme a Brasília, esses instrumentos acabam sendo usados em outras regiões. Recentemente, um deles foi acionado para apoiar a produção de pêssego no Rio Grande do Sul, com claro viés político. Nada contra — lá existe padrinho e pressão institucional. Aqui, infelizmente, não. O Garantia Safra, citado na matéria pelo Glênio, já existe no Amazonas, e é preciso reconhecer: foi uma ação positiva da gestão Wilson Lima/Petrucio, que aderiu ao programa. No entanto, ele só pode ser acionado em casos de grandes adversidades e precisa de ajustes para a realidade amazônica. Ainda no âmbito da Conab, defendi a criação do Seguro Várzea para o agricultor familiar que perde sua produção nas cheias extremas — algo semelhante ao que já existe para o pescador. A então presidente Dilma Rousseff chegou a estar com a caneta na mão para assinar esse programa ao Norte, ao Amazonas, mas o Nordeste pressionou pela criação do Seguro Seca. Quem estava à mesa naquele momento não soube defender a diferença entre Garantia Safra e Seguro Várzea, e o Amazonas perdeu mais uma oportunidade histórica. Existem muitos outros caminhos, mas não podemos esquecer do básico: ZEE, regularização fundiária e agilidade no licenciamento ambiental para acessar o crédito rural, no qual o Amazonas, infelizmente, ocupa o último lugar no Brasil (penúltimo). Gosto de vídeos que mostram a realidade e apontam caminhos. Dinheiro nunca faltou. As inúmeras operações da PF no Amazonas já mostraram que dinheiro nunca foi problema. As ONGs têm muito recurso, mas atendem majoritariamente aos interesses dos países financiadores do Fundo Amazônia, sem falar na corrupção quase generalizada em todos os poderes, como afirmou o jornalista da GLOBO NEWS, recentemente. Seguimos deixando a floresta em pé, mas nosso povo continua deitado, doente, isolado e com fome. Ainda assim, acredito que dias melhores virão.
THOMAZ RURAL


