Opinião/Informação:
Venho alertando há tempos no Portal Thomaz Rural e nas minhas colunas no JC sobre os riscos do chamado crédito de carbono. A matéria do Jornal A Crítica sobre o caso Master confirma: o assunto já virou escândalo. Terras públicas, destinadas à reforma agrária, sendo usadas como lastro bilionário de “ativos verdes”, sem segurança jurídica. O MPF já acompanha.
Do jeito que está, quem realmente preservou a floresta corre o risco de não receber um centavo.
Quando — e se — isso virar algo legal, tudo indica que ficará nas mãos de quem tem poder e dinheiro.
O ponto central é este: do jeito que o assunto está sendo conduzido, quem verdadeiramente preservou a floresta — o caboclo, o ribeirinho, o pequeno produtor, o indígena — corre o sério risco de não ver um centavo sequer. A “economia verde” vai sendo apropriada por quem tem poder político, estrutura jurídica e muito capital, enquanto o povo da floresta fica apenas com o discurso.
Pior: quando — e se — esse mercado passar a funcionar de forma legal e estruturada, tudo indica que os benefícios ficarão concentrados nas grandes empresas e intermediários, repetindo o velho modelo de exclusão que já conhecemos bem na Amazônia.
A pergunta é simples:
👉 vai sobrar alguma coisa para o caboclo?
A Amazônia não pode virar apenas mais um negócio milionário com discurso ambiental.
THOMAZ RURAL



