Opinião/Informação:
Li com atenção a matéria sobre o vergonhoso impasse da AM-174, onde moradores precisam fazer “vaquinha” para consertar pontes enquanto o Estado e a União jogam a responsabilidade um para o outro. No mesmo texto, o respeitado professor Marcos Maurício defende a volta do Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para recuperar a “capacidade técnica” do Amazonas. Não sou contra a volta do DER. Tecnicamente, faz sentido. Mas não sejamos ingênuos: o buraco nas nossas estradas é mais fundo. O problema não se resume à extinção de um órgão ou à falta de engenheiros. O problema está na caneta e na mentalidade de quem governa. O que adianta recriar uma autarquia, inchar a máquina com mais cargos, se a “cabeça” dos governadores continuar a mesma? O que vemos, gestão após gestão, é um executivo estadual que vende e negocia a nossa dignidade em troca de aplausos de organizações internacionais. Nossas estradas não saem do papel ou apodrecem na lama não por incompetência técnica, mas por covardia política. É o medo de desagradar a quem financia o discurso ambientalista radical, que prefere o isolamento do interior à integração econômica. Se o governador continuar governando de joelhos para a Europa e para ONGs que ditam o que pode e o que não pode ser feito no Amazonas, na Amazônia, o DER será apenas mais um prédio público em Manaus. Precisamos de infraestrutura, sim, mas antes precisamos de postura. Enquanto a prioridade for agradar quem vê a Amazônia como santuário intocável, o caboclo continuará atolado na AM-174, com ou sem DER.
THOMAZ RURAL




