Negar tratores é condenar o povo amazônida à pobreza

Opinião/Informação:

Essa matéria parte de uma premissa perigosa e injusta: a de que produzir alimentos na Amazônia é, por definição, sinônimo de destruição. Ao associar automaticamente máquinas agrícolas a desmatamento, ignora-se deliberadamente o que diz a lei brasileira, em especial o Código Florestal, que autoriza o uso produtivo de até 20% da propriedade na Amazônia.

O que está em curso não é apenas uma discussão ambiental — é uma negação do direito à produção. Impedir que estados e municípios amazônicos recebam máquinas agrícolas para produção de alimentos, sob a suposição antecipada de que haverá crime ambiental, é criminalizar quem preservou e condenar o produtor à dependência e à pobreza.

Não se trata de liberar desmatamento ilegal. Trata-se de garantir condições mínimas para produzir dentro da lei. Sem tratores, sem infraestrutura, sem estradas vicinais e sem mecanização básica, não existe agricultura familiar, não existe segurança alimentar e não existe dignidade no campo.

O resultado dessa lógica é perverso:

  • quem preserva é punido;
  • quem quer produzir legalmente é tratado como suspeito;
  • e a Amazônia segue importando alimentos, enquanto poderia produzi-los com responsabilidade.

Ao transformar emenda parlamentar para máquina agrícola em sinônimo de devastação, essa narrativa desrespeita o Código Florestal, ignora a realidade do campo e reforça uma visão externa que aceita a floresta em pé — desde que o povo continue pobre.

Isso faz parte de uma orquestração global de discursos, travestidos de proteção ambiental, que retiram do amazônida o direito básico de produzir comida, mesmo dentro da lei. Preservar não pode significar proibir viver.

Negar tratores hoje, sob o argumento de que “podem desmatar amanhã”, é brincar com a dignidade de quem alimenta o país e preserva o verde para o mundo.

Essa matéria foi publicada pela Folha de S.Paulo. Vale a pergunta: quais interesses e quais narrativas estão por trás desse enquadramento? Não se trata de questionar o jornalismo em si, mas de refletir sobre quem pauta, quais vozes são ouvidas e quais realidades ficam de fora quando a Amazônia é tratada apenas como problema ambiental, e não como território habitado por pessoas que têm direito de produzir dentro da lei.

THOMAZ RURAL

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