Opinião/Informação:
Isso não resolve absolutamente nada. Basta ouvir atentamente o vídeo abaixo, do delegado Alexandre Saraiva, para compreender o que de fato acontece no Amazonas — e, mais importante, qual é a solução. Uma solução que já existe, é baseada em tecnologia, inteligência e integração institucional, mas que deliberadamente não é utilizada.
Criar ou anunciar duas delegacias para um território do tamanho do Amazonas é, na prática, enxugar gelo diante da estrutura e da capilaridade do crime organizado, que atua com logística, financiamento e inteligência muito superiores. Não se combate uma organização criminosa moderna com respostas simbólicas ou medidas de fachada.
O delegado Alexandre Saraiva deixa claro que o problema não é a ausência de discurso, mas a falta de enfrentamento real do esquema que sustenta a ilegalidade. Enquanto esse sistema não for desmontado, multiplicar delegacias pelo estado não produzirá resultado concreto algum.
Portanto, mais do que criar estruturas físicas, é preciso romper com o modelo atual, investir em tecnologia já disponível, coordenação entre órgãos e vontade política para enfrentar os interesses que se beneficiam do caos. Caso contrário, pode-se anunciar quantas delegacias forem — o resultado continuará sendo o mesmo: nenhum.
Ouçam o delegado. Entendam o que está sendo dito. E cobrem para que o esquema mencionado seja, de fato, encerrado. Sem isso, o Amazonas seguirá refém de soluções aparentes que não enfrentam o problema real.
Ouça os dois vídeos abaixo, menos de três minutos, avalie se duas delegacias vão combater o que afirmou o delegado que já foi superintendente da PF no Amazonas.
THOMAZ RURAL



