Opinião/Informação:
Quando fui gestor da CONAB, destinei 100% das doações ao Programa Mesa Brasil do SESC/AM, onde o programa efetivamente atuava. Essa escolha me dava segurança, pois as doações atingiam seus objetivos com responsabilidade, sem qualquer viés político-partidário — algo que jamais deve existir quando se trata de alimentar quem tem fome. Além disso, recebia relatórios mensais detalhados de tudo que era recebido e doado. O que vejo atualmente, tanto na CONAB quanto no Governo do Estado, é o afastamento deliberado do Mesa Brasil/SESC-AM, para direcionar doações com foco na captação de votos, ou seja, com viés eleitoral explícito. Se investigarem as doações feitas pela CONAB em Manaus, encontrarão situações fora dos padrões adequados. O mesmo ocorre no interior do Amazonas. Isso acontece quando gestores ocupam cargos apenas para servir interesses políticos e não têm coragem de se impor, por medo de perder a função. Quem paga esse preço? A população que tem fome, e os objetivos reais da política pública. O gestor tem a obrigação de se posicionar e buscar sempre o melhor caminho para a destinação das doações. O Programa Mesa Brasil do SESC é uma iniciativa nacional consolidada e, além disso, há também o Mesa no Campo, que precisa ser conhecido e valorizado pelo meio político. É um programa que merece receber emendas parlamentares, pois combate o desperdício de alimentos na zona rural e reforça o combate à fome de forma técnica, eficiente e transparente. Hoje, o que se vê é a ADS investindo milhões para poucos, e a CONAB extremamente lenta na execução do PAA/CDS. Fica a dica: conversem com o SESC e firmem parcerias com foco em quem realmente precisa — quem não tem o que comer. Já existe uma estrutura sólida pronta para essas ações. E mais: os programas do SESC não se limitam à doação de alimentos. Eles vão além, oferecendo orientação sobre o aproveitamento integral dos alimentos, educação nutricional, e ações de cidadania.
THOMAZ RURAL



