PPBio: Impacto pífio – e o silêncio conveniente da ONG IDESAM? As indústrias do PIM sabem disso?

Opinião/Informação:

Uma recente matéria publicada no jornal A Crítica, que deve ter sido paga, tenta vender como grande feito os números do PPBio (Programa Prioritário de Bioeconomia), coordenado pela ONG IDESAM, que atua como gestora dos recursos empresariais oriundos da Lei de Informática da Zona Franca de Manaus. Mas os números exibidos com pompa e sem qualquer espírito crítico apenas escancaram um cenário de ineficiência e desperdício.

Segundo a própria reportagem, o programa movimentou R$ 149 milhões em seis anos. Dinheiro oriundo de 39 empresas do Polo Industrial de Manaus que poderiam estar investindo diretamente em projetos com maior retorno social e econômico. O CBA poderia ser o destino. Com todo esse volume, o PPBio afirma ter gerado apenas 600 empregos – um resultado medíocre e desproporcional diante do valor investido. Estamos falando de quase R$ 250 mil por emprego gerado, isso se aceitarmos que esses empregos ainda existem e são produtivos.

Pior: as 43 startups e empresas apoiadas pelo programa apresentaram um faturamento conjunto de apenas R$ 3,2 milhões. Isso representa menos de 2,2% do valor total movimentado pelo programa, uma taxa de retorno que, em qualquer política pública séria, seria classificada como fracasso absoluto.

Mas a reportagem da A Crítica – visivelmente encomendada, possivelmente patrocinada – não faz uma única menção crítica à ONG IDESAM, que coordena o programa. Tampouco explica quanto essa ONG recebeu dos R$ 149 milhões. É sabido que a organização fica com um percentual fixo por projeto coordenado (entre 10% e 20%). Se esse dado foi omitido da matéria, não foi por acaso. Há um esforço nítido em blindar a imagem da ONG e de seus dirigentes – muitos deles egressos de gabinetes ou ligados a redes de influência que dominam a chamada “agenda verde” da Amazônia.

Outro ponto grave é o apagamento da SUFRAMA, que é a idealizadora e verdadeira proprietária do programa. O nome da autarquia sequer aparece na reportagem. O órgão foi convertido em figura decorativa, enquanto a ONG IDESAM transformou-se, na prática, em operadora de um fundo milionário, com baixíssima transparência e efetividade ainda mais questionável.

E o impacto nos 57 municípios supostamente beneficiados pelo programa? A reportagem não cita um exemplo concreto. O que se vê nesses territórios é uma realidade crua e brutal: economias dominadas pelo narcotráfico, garimpo ilegal, prostituição e abandono estatal. Se o PPBio de fato chegou a esses municípios, deixou poucos rastros visíveis, além de relatórios bonitos para apresentações de PowerPoint em seminários financiados pelo próprio fundo e, certamente, na teatral COP-30.

A situação é escandalosa. Os R$ 149 milhões foram pulverizados em ações de retorno duvidoso, controlados por uma ONG que recebe por contrato parte desses recursos e que, não por acaso, virou símbolo da nova “governança ambiental” imposta de cima para baixo, sem diálogo com quem de fato vive e produz no Amazonas. Além disso, essa ONG IDESAM entrou na justiça para travar o asfaltamento da BR-319.

É hora de os órgãos de controle – Tribunal de Contas da União, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União – exigirem transparência, auditoria e responsabilização. As indústrias que injetaram recursos no programa, muitas das quais com responsabilidade social real, merecem saber quanto foi parar na ponta e quanto ficou nos escritórios refrigerados da ONG que diz salvar a floresta.

A bioeconomia que precisamos é aquela que gera renda e dignidade ao povo do Amazonas, não uma que serve de biombo para ONGs acumularem poder, influência e dinheiro sem entregar resultados reais.

THOMAZ RURAL

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