Opinião/Informação:
Por muito tempo, o Amazonas tem sido refém de alguns ambientalistas que vendem a imagem de um paraíso intocado, mas escondem uma dura realidade: a de um povo empobrecido, isolado e sem acesso ao básico. Como bem afirmou o professor Augusto Rocha, devemos, sim, sentir vergonha por não aproveitarmos nossas potencialidades enquanto mergulhamos, inclusive na capital, em níveis alarmantes de pobreza extrema.
Quem teve acesso a recursos públicos nas últimas duas décadas em nosso estado não trabalhou para que o cenário mudasse. Pelo contrário: agiu para travar qualquer avanço real. O exemplo mais gritante é o do Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), que passou 20 anos sem ter sequer CNPJ. Isso por si só revela a falta de compromisso com um modelo de desenvolvimento produtivo e sustentável.
Agora, virou moda falar em “bioeconomia”. Mas como defender essa ideia se o Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE), instrumento essencial para planejar qualquer uso racional dos nossos recursos, segue ignorado? ONGs e “ongueiros” dominam a Secretaria de Meio Ambiente (SEMA) há mais de uma década e simplesmente não priorizam o ZEE. Basta consultar o site do Ministério do Meio Ambiente para ver os benefícios do ZEE, mas é negligenciado. Inclusive, pela atual ministra do Meio Ambiente.
Enquanto isso, a EMBRAPA, instalada aqui mesmo na AM-010, domina tecnologias aplicáveis à realidade amazônica, muitas das quais vão ao encontro do que defende o professor Augusto. Mas é ignorada sistematicamente. Paradoxalmente, são estrangeiros — chineses, coreanos — que vêm conhecer nossas soluções tecnológicas, enquanto nós, aqui dentro, seguimos indiferentes.
Também é hora de encarar com seriedade a possibilidade de mineração responsável no Amazonas. Os mesmos países e organizações que nos proíbem de explorar nossas riquezas são os que mais exploram as suas — e ainda colocam dinheiro no Fundo Amazônia para manter nossa economia travada com apoio de agentes locais. Qual a lógica de aceitar isso calados?
Seguimos com 97% da floresta preservada, o que é um feito global. Mas temos, ao mesmo tempo, 65% da população passando fome. O povo quer produzir alimentos, quer renda. Espera que o tão falado crédito de carbono e o REDD+ saiam dos relatórios técnicos, discurso e viagens e finalmente cheguem à vida real — na conta do caboclo, não de intermediários. O site do MPF aponta irregularidades graves no projeto do crédito de carbono em Carauari. Pesquisem no site do MPF-AM;
A verdade é que não podemos mais aceitar a paralisia imposta por interesses externos ou internos. Quem fala em nome da Amazônia precisa entender que manter o povo sem água tratada, sem energia, sem internet, sem produção e sem dignidade não é preservação — é abandono.
Como bem pontuou o professor Augusto Rocha, o objetivo maior é o “encolhimento da fome e da pobreza no interior profundo”. Mas, se continuarmos fazendo o mesmo, com os mesmos, nada mudará.
É hora de virar a página, um bom artigo professor Augusto Rocha.
THOMAZ RURAL



