Opinião/Informação:
Meu comentário é sobre um artigo publicado hoje no Jornal do Commercio, da CIEAM.
Fico muito triste ao ver um texto escrito exclusivamente para defender os milhões que o IDESAM vem recebendo da SUFRAMA, das indústrias do PIM/ZFM e do PPBio. O pior é que tentam justificar isso com a exportação de uma pequena quantidade de borracha para Salvador.
Além de gerenciar esses milhões, o IDESAM já embolsou outros milhões (ganha um percentual) por serviços prestados no âmbito do PPBio. Estou falando de algo em torno de R$ 150 milhões. Já chega!
Nossos extrativistas não merecem essa enganação, não podem ser usados para sustentar o discurso de um futuro que nunca chega, enquanto ONGs seguem faturando alto. Pior ainda: esses mesmos extrativistas não podem ser usados para justificar a entrega de milhões à ONG IDESAM com o argumento da bioeconomia. Essa ONG até entrou na justiça para travar o licenciamento da BR-319.
O CIEAM não percebe que essa defesa da ONG IDESAM está indo contra os interesses da própria indústria? Afinal, a não repavimentação da BR-319 só aumenta os custos do setor.
O artigo não menciona a EMBRAPA, que tem em seu quadro o maior especialista do mundo no assunto. Não fala no preço que o extrativista recebe, se estão ou não recebendo as subvenções e ignora instrumentos federais como PEP/PEPRO, que poderiam ajudar a escoar a produção.
Também não menciona que Manicoré já teve usina e que o mesmo aconteceu em Iranduba. Tudo parado! Pega esse recurso do PPBio da Suframa e reativa essas duas usinas. Nesse caso, não precisaria ir para Salvador
Antes de falar em bioeconomia de milhões, que não enche a barriga de ninguém, o extrativista no Amazonas precisa do básico:
✔ Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE)
✔ Energia solar
✔ Internet e celular
✔ Poço artesiano para ter água limpa e estrutura digna
✔ Sementes e mudas para garantir produção sustentável, diversificar produção, reduzir dependência de ranchos
✔ Assistência técnica física e virtual para melhorar sua produtividade
✔ Financiamento rural para investir e crescer
Sem isso, a realidade do extrativista não muda. Falar em bilhões para o futuro sem resolver o presente é pura enrolação. Fico triste quando vejo um intelectual amazonense, que admiro, se aliar a ONGs que já receberam bilhões e nada fizeram em prol de quem preservou o verde ao mundo. Fui por anos gestor da Conab, estive próximo, bem próximo, atendi todos os convites com a maior educação e empenho. Só depois percebi que é um FAZ de conta. Não sou contra o extrativismo, mas não tira ninguém da miséria, só enriquece alguns. Sugiro que o CIEAM solicite da CONAB e ADS os números do pagamento das subvenções e converse com a EMBRAPA (que já esteve no auditório do CIEAM, mas penso que esqueceram).
THOMAZ RURAL



