Meu comentário sobre artigo do CIEAM publicado no Estado de São Paulo

Opinião/Informação:

Já disse várias vezes e volto a repetir: é inverídico e prejudicial vincular a preservação da floresta em pé à Zona Franca de Manaus (ZFM). Esse argumento não só não reflete a realidade como também prejudica a economia do Amazonas, especialmente do interior e do caboclo – este, sim, sempre foi o verdadeiro responsável por preservar a floresta. Afirmar que, sem a ZFM, o amazonense optaria automaticamente pelo desmatamento, garimpo ilegal ou crime organizado é infundado e desnecessário.

No artigo de Luiz Augusto Rocha, presidente do Conselho Superior do CIEAM, já foram apresentados argumentos sólidos e objetivos para a manutenção dos incentivos fiscais da ZFM. A ZFM é constitucional, gera receita tributária, não provoca distorções econômicas e contribui positivamente para os cofres da União. Esses pontos já são suficientes para defender o modelo, sem necessidade de recorrer ao falso discurso de que ela é responsável pela preservação da “floresta em pé”. Esse falso discurso nasceu de ambientalista e vem influenciando políticos e alguns empresários do Estado. Contudo, muitos políticos e empresários já perceberam que não é esse o caminho.

Ademais, a ideia de que “graças à ZFM, desmatar não é bom negócio” não se sustenta. Inclusive, já li uma nota no O Globo que desconstrói essa narrativa. Basta observar os números: ao longo de décadas, os empregos gerados pela ZFM (cerca de 500 mil diretos e indiretos) não acompanharam o crescimento populacional do estado, que hoje ultrapassa 4 milhões de habitantes. Enquanto isso, 65,6% da população do Amazonas vive em insegurança alimentar, refletindo o aumento da miséria e a falta de empregos no interior. Mesmo assim, o caboclo, mesmo passando fome, preserva 97% da floresta. Isso evidencia que a preservação não depende exclusivamente da ZFM.

Eu sempre fui e continuarei sendo defensor da ZFM. Também reconheço a importância do AGRO – tanto familiar quanto empresarial – como um parceiro estratégico para o desenvolvimento do estado. No entanto, insistir no discurso equivocado de que a ZFM “manteve a floresta em pé” prejudica iniciativas importantes, como a chegada das tecnologias da EMBRAPA ao interior do Amazonas. Vale lembrar que a EMBRAPA já esteve no auditório do CIEAM, apresentando propostas concretas para promover o desenvolvimento do interior. Essas iniciativas, porém, enfrentam barreiras que precisam ser superadas com o apoio do CIEAM e de outras instituições.

O artigo também cita “investimentos em infraestrutura”, mas o CIEAM fez recente parceria com a ONG FAS (Fundação Amazonia Sustentável), que se posiciona contra o asfaltamento da BR-319 e faz parte de observatórios que até entraram na justiça para bloquear a licença ambiental dessa obra e de outras.

Já existem várias políticas de interiorização do desenvolvimento voltadas ao AGRO familiar e empresarial. Contudo, essas políticas não avançam devido à ausência do Zoneamento Econômico Ecológico (ZEE), uma ferramenta ambiental indispensável para o planejamento territorial e econômico do estado. É importante ressaltar que ONGs como a FAS resistem à implementação do ZEE, ignorado há mais de uma década, mesmo sendo essencial para orientar o desenvolvimento sustentável no Amazonas. Vale lembrar também que a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SEMA) está há mais de uma década sob influência de gestores oriundos da FAS.

Outro ponto preocupante é o controle de programas estratégicos por ONGs ambientalistas. Por exemplo, o PPBio está nas mãos do IDESAM, uma ONG parceira da FAS, que também faz parte de observatórios que atuaram contra o asfaltamento da BR-319. O CIEAM deveria questionar a SUFRAMA sobre essa situação e buscar parcerias com instituições que realmente entendem de interiorização e desenvolvimento sustentável, como a EMBRAPA, FETAGRI, UNICAFES, FAEA, OCB e o Sistema SEPROR, que inclui o IDAM, ADAF e ADS.

Por fim, sugiro que o CIEAM solicite as atas de todas as reuniões do CADAAM (Comitê do AGRO entre FIEAM, FAEA e FECOMÉRCIO). Todo o necessário para interiorizar o desenvolvimento e fortalecer as parcerias com o CIEAM já está registrado, já passou pelo CADAAM. Também recomendo assistir à entrevista com o ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, delegado Alexandre Saraiva, que afirma categoricamente que quem desmata são organizações criminosas de altíssimo poder econômico e influência, e não o caboclo. Mesmo sem empregos do Polo Industrial de Manaus (PIM), sem renda e com fome, o caboclo não desmatou, tanto que 97% da floresta permanece preservada.

Precisamos avançar com propostas reais e concretas para o desenvolvimento do interior, sem ser influenciado por discursos vazios praticados por ONGs ambientalistas que já captaram bilhões e nada fizeram pelo caboclo que preservou a floresta em pé.

THOMAZ RURAL

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2 comentários sobre “Meu comentário sobre artigo do CIEAM publicado no Estado de São Paulo

  • É necessário que se faça investimento estrutural e capacite o cabloco, para que ele tenha o apoio necessário na sua atividade,
    envolver a comunidade, conscientiza-lá, em manter a floresta preservada com sustentabilidade; com apoio as Família, empregabilidade e renda, desenvolvendo seu município

    Resposta
    • Perfeito Mauricio! O ZEE concluído ajuda até no “cardápio” da capacitação já que identifica a potencialidade de cada local. Outra coisa: com nossa dimensão continental, só o uso da internet será possível essa capacitação. Então, energia solar e internet, sem esquecer da água que eles não tem.

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