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Muito boa essa matéria do EM TEMPO, de autoria do jornalista Waldick Junior. Ela confirma, ratifica que o modelo econômico implantado há mais de 50 anos não chegou no interior, e ainda deixou a capital na pobreza. Precisamos de novos rumos, e o setor primário é o caminho.
Vou transcrever, a seguir, a declaração da produtora Idaelza Bentes Ribeiro, da Comunidade do Maracá, zona rural de Borba, mostrando, claramente, de onde vem a renda, a sobrevivência da família, é 100% do setor primário.
Ela diz que “…recorre ao cultivo do que der dinheiro…”, complementa afirmando que “…quando a gente acerta na produção dá pra viver com o dinheiro que vem…”. Ela finaliza dizendo que “…quando ocorre dificuldade (cheia) fica meio ruim…”.
Com relação a essa “dificuldade” causada pela cheia, lembro que o governo federal já tem há mais de 10 anos o programa GARANTIA SAFRA, mas foi ignorado pelos últimos governadores. Esse programa é um SOS para esses momentos, para esses pequenos produtores que perdem a produção. Felizmente o governo Wilson Lima, no âmbito da SEPROR, pautou este assunto junto ao governo federal, e se houver enchente que prejudique a plantação, a partir de 2022 os produtores inscritos receberão o benefício. Hoje, só os produtores dos estados do nordeste são beneficiados.
É muito fácil usar a bonita expressão “BIOECONOMIA“, que já existe há mais de 100 anos (nada fizemos), como a mágica alternativa econômica que vai colocar grana no bolso de quem vive no interior no dia de amanhã sem conhecer a dura realidade desses depoimentos que precisam de apoio urgente, imediato, pra ontem.
O interior precisa de regularização fundiária, licenciamento ambiental e CRÉDITO dos agentes financeiros. Na ATER, apesar da dimensão geográfica do Amazonas, já temos os guerreiros do IDAM (fortalecido com os concursados) e, mais recentemente, o Senar-AR/AM iniciando o atendimento com o programa de incentivo chamado de ATeG – Assistência Técnica e Gerencial, que veio para somar com o que já existe, já que temos aproximadamente 200 mil produtores ainda sem qualquer apoio de orientação técnica. As potencialidades de cada município e região nós já sabemos, não precisamos de novos seminários, congressos e simpósios para “descobrir” o que já sabemos. Isso é enrolação, é gastar dinheiro.
O IDAM já tem as cadeias produtivas prioritários lançadas no Plano Safra AM 2019/2020 (bianual). A Embrapa já tem tecnologia de sobra para os 62 municípios. O INPA também, a academia idem…
Mas sem resolver questões fundiárias, ambientais e o acesso ao crédito rural não vamos avançar no volume desejado.
THOMAZ RURAL



